a. A Septuaginta (LXX): Foi a tradução do Velho testamento hebraico para o grego em III a.C. na cidade de Alexandria. Foi nesta tradução que pela primeira vez são postos os livros apócrifos ao lado dos livros inspirados.
b. A Antiga Latina: Foi a tradução da Bíblia para o latim antes de 200 d.C, no norte da África. Nesta tradução fez-se uso da Septuaginta como texto base para se traduzir o V.T. ; com isto os livros apócrifos continuaram ao lado dos livros inspirados.
c. A Vulgata Latina: Foi a tradução da Bíblia para o latim por volta do ano 382 d.C. Nesta tradução Jerônimo fez uso do texto hebraico (texto massorético – TM). A controvérsia em torno da tradução do V.T. por Jerônimo com base no original hebraico reflete não só os conflitos entre cristãos e judeus, mas a crença mais problemática ainda sustentada por muitos líderes cristãos, dos quais Agostinho, segundo a qual a LXX era verdadeiramente a Palavra inspirada, inerrante, da parte de Deus, em vez de uma mera tradução não-inspirada baseada nos originais hebraicos. Jerônimo considerou que os livros apócrifos não eram de autoridade sobre a igreja, uma vez que eles não eram inspirados.
No século XVI, a igreja, tendo se afastado das Escrituras sagradas, veio a ficar comprometida com a devassidão moral, politicagem eclesiástica, paganismo e tantos outros males. A Bíblia foi retirada das mãos do povo comum e aqueles que tentavam mudar tal situação eram presos e até mortos pela própria igreja, a mando do papa.
Os desvios doutrinários a cada dia apareciam, e para fins da construção da basílica de são Pedro, ao monge Tetzel foi dada autoridade para a venda de indulgências que garantiam o perdão dos pecados passados presentes e futuros a quem comprasse tal documento. Embora tal prática seja absurda até para os católicos hoje, contudo na época tal prática era sancionada pelo papa e estava de acordo com a doutrina do purgatório, da missa de sétimo dia e da infabilidade papal, uma vez que o próprio papa havia reconhecido a existência de um lugar de purificação para aquelas almas que não iam diretamente para o céu. Tudo de acordo com algumas pouquíssimas passagens dos livros apócrifos.
É, então, neste contexto histórico que surge a Reforma Protestante proclamando “Só a Escritura” como única regra de fé e prática. Lutando contra as indulgências os reformadores asseveravam que tal prática não tinha respaldo na Palavra de Deus e que portanto deveria ser rejeitada por todo verdadeiro cristão. Tendo a igreja católica sofrido grandes baixas de membros em vários países, no Concílio de Trento declara canônicos os livros apócrifos pelos seguintes motivos:
a. Para confirmar a doutrina do purgatório, missa de sétimo dia e outras afins, que tem sua base no livro de Macabeus.
b. Para defender a autoridade papal sobre questões doutrinárias.
c. Para não cair em descrédito diante da opinião pública, tendo que se retratar quanto a um erro de doutrina e prática.
d. Para continuar levantando recurso para a construção da Basílica de São Pedro
e.. Para combater o avanço da Reforma Protestante.
Portanto, a acusação que os protestantes retiraram livros da Bíblia não condiz que os fatos históricos, uma vez que estes tais, aceitos tardiamente pelos católicos, só foram canonizados por motivos espúrios e não por serem verdadeiramente inspirados, pois se o fossem como são os livros da Bíblia, estes, chamados livros apócrifos, já teriam sido reconhecidos como canônicos, uma vez que por mais de um milênio e meio já se encontravam pertos dos livros universalmente reconhecidos pelo povo de Deus como inspirados.
Os livros apócrifos, embora não serem tidos como inspirados pelos protestantes, eram, contudo, reconhecidos como obras históricas e testemunhas daquele período compreendido entre Malaquias e Mateus. Eram portanto, até lidos, mas nunca usados como textos inspirados e autoritativos para de fazer doutrina alguma ou se asseverar algo sobre a prática ou crença da igreja cristã.
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